sexta-feira, 19 de março de 2010

Respiro o teu corpo



Respiro o teu corpo
sabe a lua-de-água
ao amanhecer

sabe a cal molhada
sabe a luz mordida

sabe a brisa nua
ao sangue dos rios
sabe a rosa louca
ao cair da noite
sabe a pedra amarga

sabe à minha boca

           Eugénio de Andrade

3 comentários:

Miguel disse...

Um regresso em grande com um lindo poema de Eugénio de Andrade. Que outro sabor deve ter o corpo de quem se ama senão o da nossa boca? Um bom fim de semana.

Nilson Barcelli disse...

Excelente escolha.
Gostei do poema e da foto, bem enquadrada com o poema.
Bom fim de semana.
Um beijo.

Angel in the dark disse...

Eugénio de Andrade como sempre profundo!